
“Sensação espetacular vencer a Légua Diário de Coimbra”

Qual foi a sensação de ganhar a primeira edição da Légua Diário de Coimbra?
Foi uma sensação espetacular vencer a Légua Diário de Coimbra. Já há alguns tempos que andava a fazer grandes provas e foi mais uma para o meu curríulo. Achei interessante e foi pena que depois não consegui voltar a participar noutras edições. Que esta edição chame mais atletas, há poucos em Coimbra comparativamente com essa altura.
O que recorda dessa edição?
Recordo-me que quem deu a partida foi o falecido senhor Joaquim Gama. Estava muita gente na Rua da Sofia, junto ao Diário de Coimbra. Viemos em direção à Portagem e estava muita gente a ver ao longo da prova. Passámos para Santa Clara e a chegada foi no Choupal. Depois, em Bencanta, havia uma ponte antiga e foi por aí que passámos para o lado do Choupal. Fiz uma boa prova, com um bom tempo e ganhei entre tantos atletas.
Era um atleta de referência na altura, tinha já disputado provas internacionais e o seu irmão, Aniceto Simões, já tinha ido aos Jogos Olímpicos em 1976. Sentiu alguma pressão adicional nessa edição?
Confesso que não. Eu era considerado o melhor atleta de Coimbra. O meu irmão era de Coimbra, mas estava a morar em Lisboa e estava a representar o Sporting. Havia o José Campos, o Gabriel Pires, mas na altura não tinha grandes dificuldades em vencer.
Como começou esta paixão pelo atletismo?
Comecei com o meu irmão Aniceto e tenho outro irmão que faziam parte do Salatinas, que era da ACM Coimbra. Eu não tinha grande estrutura, porque era baixo, mas a partir dos juvenis comecei a entrar na alta roda da modalidade até chegar a internacional.
Neste percurso representou outro nome grande do desporto, o CF Santa Clara. Como foi essa experiência?
O Santa Clara era um dos melhores clubes de Coimbra, senão o melhor, e era uma referência nacional. Tinha grandes atletas, teve atletas olímpicos e só por aí tem de ser um grande clube.
Chegar aos Jogos Olímpicos, como o seu irmão Aniceto chegou, era um objetivo seu?
Não, era algo muito difícil. Nós estávamos cá em Coimbra e trabalhávamos. Eles em Lisboa tinham preparação olímpica. Nós aqui trabalhávamos e depois treinávamos. Aqui o Estádio Universitário era a minha segunda casa. Eu vinha do trabalho para aqui e daqui ia para casa. Era assim todos os dias da semana e depois quase todos os fins de semana havia provas.
Sente que o atletismo era uma família para si?
Completamente. O atletismo foi das melhores coisas que me aconteceu na vida. Na altura em que praticava, em todas as semanas estávamos em convívio. Tínhamos provas em todo o país e a nível internacional. É uma sensação espetacular ter andado tantos anos no atletismo.
Ficaram amigos para a vida?
Muitos amigos. Carlos Lopes, Fernando Mamede, Tavares da Silva, o meu irmão Aniceto, claro, e muitos outros, sendo que alguns, infelizmente já faleceram.|
