
Milú Loureiro: 15 anos a encantar os mais pequenos com histórias de sonhos e afetos
Era uma vez... As histórias começam assim e a de Milú Loureiro não é exceção.
Professora de Português e Francês durante 36 anos, na sua maioria lecionados na Escola Ferrer Correia, no Senhor da Serra, em Miranda do Corvo, nunca pensou dedicar-se a escrever para os mais pequenos.
Muito menos chegar a escolas de norte a sul do país a contar as suas histórias, cheias de personagens especiais que, nas suas aventuras, tanto falam na importância dos sonhos, como no abandono dos animais, na preservação do ambiente ou até de um país em ditadura...
É certo que histórias e lenga-lengas têm cheiro a infância. A avó e a tia enchiam-na de aventuras, que juntava aos «poucos» autores de literatura infantil da época, e que também gostava de “devorar”. Depois, ainda hoje, Milú mantém uma imaginação muito fértil que vê «formas em tudo».
Não é por isso difícil que transforme nuvens, o chão ou um simples sabonete em animais que depois são personagens principais das suas histórias. Ou mesmo que tenha sonhos «mirabolantes e inspiradores», que são inspirações para os seus livros.
Milú Loureiro nunca na vida se imaginou a ser escritora, muito menos de histórias para os mais pequenos. O que é certo é que vai já no seu 26.º livro e este sábado assinala 15 anos dedicados a ser «artesã das palavras», como se identifica.

«Eu sou uma aprendiz. Uma artesã de palavras», conta ao Diário de Coimbra, a propósito da sessão que decorre, a partir das 16h00, na Casa Municipal da Cultura, em Coimbra, que contará com a presença de muitos amigos (ver caixilho nesta página).
Em destaque nesta cerimónia tão especial estará o seu último livro, “O Encantador de Dinossauros”, que escreveu para oferecer no aniversário a um dos netos, o Lourenço, um apaixonado por dinossauros. Esta paixão foi a inspiração para uma aventura que Milú Loureiro leva agora a muitos meninos e meninas de escolas de todo o país, a quem encanta com a história, mas também com todo o material que produz em torno do livro.
Neste caso, faz-se acompanhar de um avental, onde pintou todas as cenas e personagens de “O Encantador de Dinossauros” - que a própria também ilustrou e que foi concebido a pensar nas crianças com dislexia - tornando ainda mais mágica a ligação dos pequenitos com a literatura.
«Os meus mais fiéis e transparentes analistas são as crianças», confirma Milú Loureiro que, ao longo de 15 anos, tem recebido as mais ternurentas e, às vezes, inesperadas reações positivas daqueles a quem se dirigem as suas histórias, que começou a transformar em livro em 2010, altura em que, já fora das salas de aulas, estava responsável pela Biblioteca Escolar do seu agrupamento e, deste modo, começou a tomar contacto com a literatura infantil mais atual.
«Estes autores também me inspiraram para começar a escrever», comenta Milú Loureiro, que iniciou esta aventura com “O Esquilo que amava as palavras”, o seu primeiro livro, que ainda hoje conta nas escolas. Nesta altura, ainda partilhava a escrita com a Biblioteca Escolar.
«A partir de 2013, a escrita passou a ser a tempo inteiro e as minhas histórias a minha calma e terapia», partilha, contando que foi a doença rara de um dos netos e o facto de a filha precisar de si para cuidar dele que a fez deixar a escola e o ensino e dedicar-se a tempo inteiro aos seus livros.
E, em 15 anos, já lá vão 26 inspiradoras histórias como as d’ “O Encantador de Dinossauros” que até tem um texto musicado, mas também a do “Pássaro Quadrado”, que fala aos mais pequenos sobre ditaduras ou a do “Cão Sirius”, um cão com nome de estrela que é a personagem principal de uma história que fala sobre abandono de animais.

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